21/06/2010 - 07:49
Compromisso ecologicamente correto
Correio Braziliense
Quando a campanha eleitoral começar de fato, a equipe da senadora Marina Silva (PV-AC) vai estar de olho não apenas nos números das pesquisas de intenção de voto.
Parte dos assessores da presidenciável também estará empenhada em levantar a quantidade de carbono que as viagens de carro e de avião do staff de campanha liberam na atmosfera. A intenção dos verdes é que esse deficit, ao final da disputa, se transforme em árvores plantadas e, assim, compense a natureza pela emissão de gases que provocam efeito estufa e mudanças climáticas.
Todo esse malabarismo numérico já faz parte da rotina do vice na chapa da senadora, Guilherme Leal. Há três anos, Leal faz o cálculo das emissões, levando em consideração os deslocamentos diários e as emissões das residências que possui — o consumo de energia e de botijões de gás também entra no cálculo, por exemplo. O retorno ao meio ambiente é feito por meio de árvores plantadas no interior de São Paulo, numa região de mata atlântica. Com o início da corrida ao Palácio do Planalto, o número de mudas cultivadas deve aumentar consideravelmente. Somente uma viagem aérea de ida e volta entre Brasília e São Paulo, por exemplo, exigiria o plantio de duas árvores.
“A gente quer mostrar que é possível fazer isso e depois implantar nos órgãos públicos federais”, afirma Tarso Azeredo, integrante da campanha de Marina Silva. As emissões da candidatura de Marina serão divulgadas no site de campanha e começaram a ser contabilizadas desde a pré-convenção do partido em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, em maio.
O objetivo é, em até três anos, neutralizar as emissões de carbono(1). “Como a campanha é nacional e as emissões serão nacionais, a ideia é fazer o plantio em todos os biomas”, afirma Azeredo. Segundo ele, uma empresa já se ofereceu para fazer o plantio para a campanha de Marina— essa seria a doação para a candidatura da senadora. O custo do serviço seria então calculado
para a prestação de contas à justiça eleitoral. A matemática, entretanto, não se limitaria ao valor da doação. Os diferentes biomas têm pesos também diferenciados na conta para a neutralização das emissões — e como a campanha pretende cultivar as mudas em todo o país, isso também deverá ser considerado. Uma árvore plantada na Mata Atlântica ou na Amazônia, por exemplo, capta maior quantidade de gás carbônico do que aquelas do cerrado e da caatinga.
1 - Biomassa
A forma mais comum de compensar a natureza pela emissão de gás carbônico é o plantio de árvores, que absorvem o carbono e o convertem em biomassa, matéria orgânica utilizada na produção de energia, como a lenha do tronco dos vegetais. Empresas especializadas oferecem alternativas. É possível, por exemplo, investir em empreendimentos como aterros sanitários e geração deenergia limpa.