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23/05/2010 - 11:48

China e EUA tentam superar problemas

O Estado de São Paulo

Depois de um início de ano marcado por conflitos nas áreas política, econômica e comercial, China e EUA tentarão formar um "novo consenso" no relacionamento bilateral a partir de amanhã, quando autoridades dos dois países se reunirão em Pequim para a segunda rodada de diálogos sobre temas estratégicos e econômicos, que ocorre anualmente.

Hillary Clinton, secretária de Estado, e Timothy Geithner, do Tesouro, estarão acompanhados de uma comitiva de 200 funcionários do governo americano, que discutirão durante dois dias com seus pares chineses uma infinidade de temas, que vão do protecionismo à mudança climática.

Hillary comandará o diálogo estratégico ao lado de Dai Bingguo, integrante do Conselho de Estado chinês responsável pela política externa. No topo da agenda estará o ataque ao navio de guerra sul-coreano Cheonan, que deixou 46 marinheiros mortos no dia 26 de março.

Seul afirma que o torpedo que afundou a embarcação foi disparado por um submarino da Coreia do Norte. Outros tópicos da agenda são Irã, Paquistão, Afeganistão e as mudanças climáticas.

A relação entre os dois países foi marcada por uma sucessão de confrontos no início do ano, quando os EUA enfureceram a China com o anúncio de venda de US$ 6,4 bilhões em armas para Taiwan e com o encontro, em Washington, entre o presidente Barack Obama e o dalai lama, líder espiritual tibetano que Pequim considera um separatista.

A situação se deteriorou mais ainda com a decisão do Google de deixar a China e um contundente discurso de Hillary em favor da livre circulação de informações na internet.

No campo econômico, os dois países se encaminhavam para um confronto de consequências imprevisíveis com a ameaça do Departamento do Tesouro americano de divulgar um relatório no qual classificaria a China como um país que manipula sua moeda, o que abriria caminho para imposição de inúmeras barreiras comerciais contra a potência asiática.

Cúpula. Previsto para o dia 15 de abril, a publicação do documento foi adiada, o que abriu caminho para que o presidente Hu Jintao viajasse para Washington para participar da cúpula sobre segurança nuclear convocada por Obama.

Os dois presidentes se reuniram e as relações começaram a se distender a partir de então. "O relacionamento teve um inverno difícil, começou a se estabilizar na primavera e está sendo reconstruído no verão", disse David Shambaugh, diretor do Programa sobre a China da Universidade George Washington, fazendo referência às estações no Hemisfério Norte.

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